“Dom de Iludir”, da Netflix, lembra caso real de golpe de R$ 725 milhões


A estreia nacional da Netflix, “Dom de Iludir”, trouxe Marieta Severo, Nanda Costta e Alice Wegmann protagonizando um suspense do mundo das milionárias das artes brasileiras. Mas a história parece ter um pé na realidade.

Em 10 episódios, o público conhece a história de Lúcia Rossetti (Marieta Severo) uma colecionadora de arte que está desesperada para encontrar a cura da doença de sua filha, Maíra (Alice), que a faz buscar uma terapia espiritual. Enquanto buscam a cura, elas se veem no centro de um golpe milionário.

Apesar de a Netflix não confirmar que o enredo foi baseado em alguma história real, a trama lembra muito um caso que aconteceu no Rio de Janeiro em 2022. Na época, uma quadrilha roubou cerca de R$ 725 milhões em joias, obras de arte e dinheiro de uma idosa de 82 anos. A quadrilha era organizada pela filha da idosa, Sabine Boghici.

No caso dos Boghici,  Geneviève Boghici foi abordada na rua por uma suposta vidente que afirmava que sua filha estaria doente e morreria em breve. Diante do apresentado, a idosa foi convencida, também pela filha, a fazer pagamentos para um tratamento espiritual proposto pela mulher. A filha passou a afastar a mãe do convívio de outras pessoas, incluindo antigos funcionários que foram dispensados. Quando a vítima passou a questionar a situação, ela passou a ser agredida e ameaçada.

Os que lembraram do caso perceberam os pontos em comum com “Dom de Iludir”, com a promessa de cura de uma doença, exploração emocional em torno de um grande roubo de artes. “Muitas vítimas não percebem que estão sendo enganadas porque confiam emocionalmente em quem pratica a fraude. Quando isso ocorre dentro da família, a situação pode ser ainda mais delicada. A legislação brasileira prevê mecanismos de proteção patrimonial, especialmente para pessoas idosas”, avalia a advogada criminalista Lorena Pontes em nota à CNN Brasil.

Lorena acrescenta que a manipulação emocional usada por criminosos para explorar justamente os sentimentos de uma vítima pode configurar estelionato e, dependendo do agravamento das circunstâncias, como ameaça e violência, se enquadra em mais crimes.

Ela ressalta que séries como essa são importantes para levantar a discussão e o alerta para comportamentos suspeitos. “É importante compreender que golpes não acontecem apenas entre desconhecidos. Eles também podem ocorrer em relações familiares ou afetivas, especialmente quando uma pessoa utiliza a confiança da vítima para obter vantagens financeiras. Identificar esses sinais é fundamental para interromper situações de abuso.”



Fonte: CNN Brasil

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