Para 52% do eleitorado brasileiro, o presidente norte-americano Donald Trump age para beneficiar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Ao mesmo tempo, 37% discordam da proposição e 11% afirmam não saber. Os dados foram aferidos em levantamento do instituto Datafolha e divulgado no último domingo (26).
O atual foco de atrito entre o Palácio do Planalto e a Casa Branca é a imposição de novas tarifas à importações brasileiras ao país. Uma sobretaxa de 25%, justificada por supostas práticas desleais de comércio, passou a valer desde a última quarta-feira (22). Uma segunda sobretaxa cumulativa de 12,5% é aplicada desde a última sexta-feira (24).
Na ocasião do primeiro tarifaço norte-americano, em julho de 2025, Donald Trump citou diretamente o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro como justificativa para aplicação da medida. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro publicaram agradecimentos ao governo dos Estados Unidos.
“Obrigado, presidente Trump. Faça o Brasil livre de novo. Queremos Magnistky!”, publicou o senador carioca em suas redes sociais.
Como a recomendação das novas tarifas foi divulgada poucos dias após uma visita do filho primogênito de Bolsonaro ao mandante norte-americano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a afirmar que a família de seus rivais age contra interesses brasileiros por benefício próprio.
Flávio Bolsonaro, por outro lado, afirma que a punição decorre de uma postura “antiamericana” de Lula, que não teria negociado de forma adequada. O senador participou de uma audiência pública com o intuito de questionar a proposta, onde destacou que, anteriormente, a medida beneficiou a popularidade do presidente brasileiro. “As tarifas de 25% penalizam todo o povo brasileiro — exceto justamente as autoridades responsáveis por essas decisões”, afirmou Flávio no período.
Ainda no mesmo levantamento, o Datafolha testou com qual polo da disputa narrativa os brasileiros estão de acordo. 34% afirmam que Lula tem mais razão na discussão, já 26% concordam mais com Flávio Bolsonaro. Do total dos entrevistados, 24% dizem que nenhum dos dois está correto, enquanto 11% concordam com ambos. 6% não souberam responder à questão.
Ainda que a maior parcela tenha concordado com o posicionamento de Lula, quando perguntados sobre o principal culpado pelas tarifas, o presidente brasileiro volta a aparecer à frente. Lula foi citado por 35%, enquanto 28% responsabilizam Donald Trump; 13% Flávio Bolsonaro e 10% Eduardo Bolsonaro. 10% dizem não saber.
No âmbito da postura do governo brasileiro durante as negociações, 51% afirmaram que o governo fez menos do que deveria, enquanto 29% disseram que fez o que deveria ter feito e 12% que fez mais do que deveria.
Após a imposição das tarifas, o governo brasileiro sugeriu que possa utilizar da Lei da Reciprocidade, que prevê a possibilidade do Brasil impor taxas equivalentes. Contudo, os setores econômicos ponderaram que a posição pioraria a situação do Brasil.
Questionados, 74% dos entrevistados defenderam que Brasil negocie para tentar convencer o presidente dos EUA a mudar de ideia. Outros 17% defenderam taxar igualmente os produtos dos EUA vendidos no Brasil. Somente 2% sugeriram atender todas as condições exigidas pelo governo dos EUA. 6% afirmaram não saber.
Metodologia
O Datafolha ouviu 2.004 entrevistados, de forma presencial, entre os dias 22 e 24 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com o nível de confiança de 95%.
A pesquisa está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o número BR-01166/2026.
Fonte: CNN Brasil

+ There are no comments
Add yours