Após três noites de apresentações repletas de ancestralidade, a 59ª edição do Festival Folclórico de Parintins consagrou o boi Caprichoso campeão de 2026. Na somatória final, o azul e branco garantiu 1.259 pontos, enquanto o Garantido atingiu 1.258,3.
Em uma festa movida pela rivalidade centenária, a internet ainda tenta transformar o duelo de arena em conflito pessoal. É o caso da atual comparação entre Marciele Nogueira, 32, cunhã-poranga do boi campeão, e Isabelle Nogueira, 33, que se despediu do cargo pelo bumbá vermelho após mais de dez anos defendendo o item.
Com exclusividade à CNN Brasil, Marciele abriu o jogo sobre a pressão das “galeras”, ou seja, torcida organizada das agremiações. Ela comentou sobre as repercussões após o título e garantiu que, fora dos holofotes, o cenário é de absoluto respeito e parceria para fazer a cultura do Amazonas furar a bolha nacional.
Para a cunhã-poranga, a intensidade das torcidas é o combustível do espetáculo, mas existe uma linha clara que separa a competição artística dos ataques no ambiente digital. “A rivalidade faz parte e fica dentro da arena. É isso que faz o Festival de Parintins ser tão emocionante. Mas, fora dali, há respeito. Eu procuro sempre reforçar essa mensagem”, pontua.
A ex-BBB e dançarina destaca ainda que o crescimento do evento nos últimos anos joga luz sobre todos os envolvidos, tornando a hostilidade virtual sem sentido.
“Cada artista está dando o melhor de si pelo seu boi, e todos nós temos uma dedicação enorme ao festival. Não faz sentido transformar isso em ataques pessoais. O que realmente importa é que o Brasil conheça cada vez mais a nossa cultura e entenda a grandiosidade desse espetáculo. Quando o festival cresce, todos nós crescemos junto com ele”, adiciona.
Relação com Isabelle Nogueira nos bastidores
Recentemente, o público voltou a inflamar as redes sociais, sugerindo um possível desentendimento entre as duas após Marciele não repreender uma fala considerada negativa durante a calorosa comemoração do título. Na celebração, torcedores a chamavam de “cunhã que aposentou a cunhã contrária”.
Albuquerque, no entanto, fez questão de esclarecer o episódio e afastar qualquer ruído na relação com Isabelle. “Eu vi toda a repercussão e quero deixar uma coisa muito clara: em nenhum momento a minha intenção foi desrespeitar ou diminuir a Isabelle. Tenho respeito pela história dela e por tudo o que ela representa para a nossa cultura”, esclarece.
Defensora do azul e branco, Marciele também contextualizou o calor do momento na comemoração da vitória. “Eu estava emocionada, vivendo e comemorando um momento muito especial, e acabei não me atentando, naquele instante, a repreender uma fala que entendo não ser positiva”, conta.
Logo após o evento, no entanto, as duas cumpriram as respectivas agendas profissionais lado a lado. “Nós viajamos juntas, nos falamos e está tudo certo; estamos juntas para espalhar a nossa cultura”, garante.
“Quero continuar sendo uma voz ativa do Norte para o restante do Brasil”, diz Marciele
Consolidada na história do festival, a influenciadora enxerga seu papel muito além das três noites de apresentação no meio do ano. Para ela, a projeção que ganhou serve como plataforma para dar voz a causas que defende diariamente como ativista.
“Fora da arena, meu maior sonho é continuar sendo uma ponte, uma voz ativa do Norte para o restante do Brasil. Sou ativista também, então eu trabalho nas causas em que acredito dentro e fora da arena para alcançar cada vez mais pessoas”, afirma.
Mais do que títulos, o objetivo das artistas que hoje ocupam o topo da cultura amazonense é abrir caminhos. “Quero desenvolver projetos que valorizem a cultura indígena, incentivem crianças e jovens a terem orgulho das suas origens e ampliem os espaços para que as nossas vozes sejam ouvidas”.
“Se a minha trajetória puder inspirar outras meninas a acreditarem nos seus sonhos sem abrir mão da sua identidade, vou sentir que conquistei algo ainda maior do que qualquer título”, finaliza.
E mais: veja fotos de Marciele no Festival de Parintins
Fonte: CNN Brasil

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