Brasilcom pede corte de 15% nas metas do RenovaBio ao governo


A associação de distribuidoras de combustíveis Brasilcom pediu ao governo, em ​consulta pública, uma redução de 15% nas metas anuais ​propostas para o programa federal RenovaBio, alegando que perspectivas mais fracas para a economia, avanço dos veículos elétricos e o crescimento dos biocombustíveis devem reduzir a demanda por combustíveis fósseis.

A redução das metas diminuiria a necessidade de compra de Créditos de Descarbonização (CBios) pelas distribuidoras de combustíveis. Os títulos representam um custo para o setor, uma vez que as empresas precisam adquiri-los para cumprir ⁠suas obrigações anuais de descarbonização.

“Eles (governo) estão ​com uma visão muito otimista de venda de gasolina e diesel que a ​gente não está enxergando”, argumentou o presidente da Brasilcom, Abel Leitão, em entrevista à Reuters.

No ⁠caso do diesel, combustível mais consumido do Brasil, ⁠o comportamento está muito associado à evolução do Produto Interno Bruto (PIB), lembrou.

Representando ​mais ‌de 40 distribuidoras regionais do país, a Brasilcom propôs ao Ministério de Minas e Energia que ⁠a meta de CBios para 2027 seja reduzida para 47,6 milhões de títulos, com crescimento gradual até 63,04 milhões em 2036.

Na consulta pública, o governo propôs uma meta nacional de aquisição de 56 milhões ‌de ⁠CBios em 2027, ‌com aumentos graduais nos anos seguintes até atingir 74,16 milhões em 2036, considerando tanto a emissão esperada de novos créditos quanto os estoques já existentes no mercado.

Os CBios são emitidos por produtores ⁠de biocombustíveis, como etanol e biodiesel, que seriam impactados ⁠no caso de um corte nas metas.

Caso a proposta da Brasilcom seja aceita, haveria uma redução na meta de ‌490 mil CBios em relação a 2026.

Segundo a Brasilcom, as projeções para 2027 apontam desaceleração da economia brasileira, com estimativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) entre cerca de 1% e 2,3%.

“O (consumo de) diesel, que é muito ligado à economia, ao PIB, deve crescer muito pouco… A gasolina ‌tem um agravante, que o álcool está crescendo muito. Então, aqueles números que o (governo) projetou, não batem”, afirmou Leitão.

A associação também destacou alterações no perfil da frota brasileira. “O avanço dos ⁠emplacamentos de veículos elétricos e híbridos tende a reduzir a demanda por combustíveis fósseis”, afirmou.

Ao mesmo tempo, os veículos flex-fuel perderiam espaço relativo na frota nos próximos anos, segundo a entidade.

Além disso, a ​Brasilcom avalia que o aumento da participação dos biocombustíveis na matriz de transportes, impulsionado pela Lei ​do Combustível do Futuro, tende a substituir parte do consumo de gasolina e diesel.

A entidade cita a elevação das misturas obrigatórias e a expansão da produção de etanol de milho como fatores que devem reforçar essa tendência.



Fonte: CNN Brasil

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