O partido Novo se manifestou contra a decisão de Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), que reconduziu o diretor-geral da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues, ao cargo após decisão do ministro André Mendonça.
Em nota publicada nas redes, a legenda disse que fez uma “forte mobilização” no Senado Federal para Dino não ocupar uma cadeira na Suprema Corte. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) indicou o atual ministro ao cargo em 2023.
“Nosso abaixo-assinado contra a indicação teve mais de 420 mil assinaturas. Não adiantou. Vivemos agora as consequências de ter um ministro terrivelmente soviético”, afirmou o partido em publicação nas redes sociais.
Quando Flávio Dino foi indicado por Lula ao STF, fizemos uma forte mobilização para que o Senado o rejeitasse.
Nosso abaixo-assinado contra a indicação teve mais de 420 mil assinaturas. Não adiantou.
Vivemos agora as consequências de ter um ministro terrivelmente soviético. pic.twitter.com/YdmmAC7Ufh
— NOVO 30 (@partidonovo30) September 9, 2026
A crítica do Novo ocorre após a decisão de Andre Mendonça, de afastar Andrei do cargo, ao usar como base um pedido do partido ao STF. Na solicitação, a legenda ressaltou as menções do chefe da PF na investigação contra o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master.
O partido também defendeu uma investigação contra Andrei “sem interferências, constrangimentos hierárquicos ou riscos relacionados ao acesso privilegiado a informações, pessoas, sistemas e decisões administrativas da própria Polícia Federal”.
“Por isso, o Partido NOVO requereu, para além da instauração de investigação criminal, a decretação da medida cautelar de afastamento de ANDREI AUGUSTO PASSOS RODRIGUES como Diretor-Geral da Polícia Federal, com base no artigo 319, inciso VI, do Código de Processo Penal”, dizia trecho da solicitação.
No pedido do Novo, o partido defendeu uma investigação contra Andrei “sem interferências, constrangimentos hierárquicos ou riscos relacionados ao acesso privilegiado a informações, pessoas, sistemas e decisões administrativas da própria Polícia Federal”.
“Por isso, o Partido NOVO requereu, para além da instauração de investigação criminal, a decretação da medida cautelar de afastamento de ANDREI AUGUSTO PASSOS RODRIGUES como Diretor-Geral da Polícia Federal, com base no artigo 319, inciso VI, do Código de Processo Penal”, dizia trecho da solicitação.
Agora, Dino alegou que Mendonça não poderia usar o pedido de um partido político para determinar o afastamento de Andrei Rodrigues e Leandro Almada, diretor de inteligência da corporação.
No despacho, Dino defendeu que “o partido político mencionado, no caso, não possui legitimidade para requerer medidas cautelares em investigações criminais ou processos penais”.
Ele também falou que “é de clareza solar que os partidos políticos não são partes no processo penal” e que “o partido político em foco é direta e imediatamente interessado na suposta medida cautelar, pois possui candidato à Presidência da República (Romeu Zema) que busca sobrepujar o atual mandatário, candidato à reeleição”.
Entenda o caso
O posicionamento de Zema diz respeito à decisão de Mendonça, que determinou, nesta terça-feira, o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues e do delegado Leandro Almada do cargo de diretor de Inteligência Policial da PF.
A decisão ocorre após o ministro Alexandre de Moraes ter utilizado relatórios de inteligência da Polícia Federal para apontar possíveis crimes de abuso de autoridade atribuídos a Mendonça na condução da relatoria do Banco Master e das fraudes do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
Segundo Mendonça, os relatórios revelam um “monitoramento sistemático e ilegal“, realizado por mais de 30 dias, sobre sua atuação e a de outras autoridades, como o advogado-geral da União, Jorge Messias.
De acordo com a decisão, Moraes teria tido “notícias da existência” dos relatórios antes de sua utilização e eles teriam sido empregados em uma tentativa de incluir Mendonça no “Inquérito das Fake News”.
Na sequência, a Segunda Turma do STF formou maioria para manter Andrei Rodrigues afastado da direção da PF.
O julgamento, porém, está suspenso por pedido de vista (mais tempo para análise) do ministro Gilmar Mendes. Mesmo sem a proclamação do resultado colegiado, o afastamento preventivo segue válido por se tratar de uma decisão liminar.
Vorcaro e Andrei
Na semana passada, a CNN Brasil mostrou que Daniel Vorcaro disse em depoimento que a negociação para firmar uma delação premiada não evoluiu porque envolveria Andrei Rodrigues. A declaração foi dada ao gabinete do ministro André Mendonça em uma oitiva sem a participação da PF.
Vorcaro disse que Andrei viajou com ele para eventos, que os dois tiveram uma relação pretérita e que, na visão dele, por isso, os delegados da Polícia Federal não quiseram escutar o ex-dono do Banco Master.
Segundo ele, não existiu abertura de ser escutado e existem pessoas que não querem que os fatos que ele tem para revelar sejam expostos. Ele afirmou ainda que uma eventual delação premiada envolve “pessoas de um núcleo político”.
Conforme revelou a CNN Brasil, neste mesmo depoimento ao gabinete de André Mendonça, Vorcaro sinalizou disposição para fazer uma nova tentativa de colaboração premiada, desta vez com elementos sobre sua relação com o diretor-geral da PF.
Fonte: CNN Brasil

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