Setenta e quatro anos após um voo da antiga companhia aérea americana Pan Am cair nas águas perto de Porto Rico, uma equipe de buscas encontrou os destroços do avião no fundo do oceano.
Esse acidente matou 52 pessoas e motivou reformas abrangentes em viagens aéreas, incluindo instruções de segurança aos passageiros antes da decolagem.
A Air/Sea Heritage Foundation, em parceria com outras entidades – incluindo o programa “Expedition Unknown”, do Discovery Channel –, encontrou no mês passado os destroços do “Clipper Endeavor” da Pan Am no fundo do Oceano Atlântico, ao largo da costa norte de Porto Rico, informou o Discovery em um comunicado nesta terça-feira (21).
A descoberta, realizada com o auxílio de um drone submarino autônomo, põe fim a décadas de mistério sobre o local exato onde a aeronave Douglas DC-4 parou após cair no oceano, pouco depois de decolar de Porto Rico em 11 de abril de 1952, com 64 passageiros e cinco tripulantes a bordo.
Embora todos os passageiros tenham sobrevivido ao impacto inicial, apenas 17 pessoas foram resgatadas; as demais perderam a vida quando a aeronave afundou rapidamente – um desfecho que investigadores atribuíram, em parte, à ausência de instruções de segurança e que impulsionou mudanças no setor de aviação.
“Estamos todos atônitos e eufóricos com essa descoberta, mas também tomados por um sentimento de humildade ao recordar o que aconteceu naquele local há tanto tempo”, disse Russ Matthews, presidente e cofundador da Air/Sea Heritage Foundation, no comunicado.
A NBC noticiou a descoberta em primeira mão no programa “Today”, na manhã desta terça.
A equipe de busca, que também contou com a participação da empresa Deep Sea Vision, utilizou um sonar de alta resolução para localizar os destroços no fundo do oceano, a cerca de 600 metros de profundidade, no dia 2 de junho deste ano.
A aeronave estava partida em duas seções. Um levantamento fotográfico posterior identificou o avião de forma conclusiva; as imagens mostram claramente o icônico logotipo da Pan American e o nome do avião ainda legível, de acordo com o comunicado do Discovery.
O Discovery Channel pretende abordar a descoberta em um episódio de “Expedition Unknown” ainda este ano. O Discovery Channel, assim como a CNN, pertence à Warner Bros. Discovery.
A Air/Sea Heritage Foundation trabalha agora com o governo de Porto Rico para ampliar a proteção do local dos destroços e defende a criação de um memorial em homenagem às vítimas do acidente, segundo a nota.
Famílias diretamente afetadas pela tragédia e os dois únicos sobreviventes conhecidos do acidente também foram contatados, informou o comunicado.
Acidente provocou mudanças na aviação
O avião, que seguia para Nova York, perdeu os dois motores do lado direito logo após a decolagem, segundo a Pan Am Historical Foundation, forçando o piloto a realizar um pouso forçado violento na água minutos depois.
A aeronave dispunha de botes salva-vidas e dispositivos de flutuação individuais para todos a bordo, de acordo com a fundação.
No entanto, foi criada uma confusão entre os passageiros, em parte porque não houve instruções de segurança. Havia uma barreira linguística e não existia um procedimento de evacuação coordenado, afirmou o Discovery Channel.
O avião afundou em menos de três minutos, segundo a apuração deles.
Embora a Guarda Costeira e a Força Aérea dos EUA tenham agido rapidamente para salvar 12 passageiros e cinco tripulantes, as outras 52 pessoas a bordo morreram.
Em um relatório sobre o acidente de 1952, o Civil Aeronautics Board (Conselho de Aeronáutica Civil) – órgão predecessor da atual FAA (Administração Federal de Aviação) americana – propôs alterações nos regulamentos de aeronáutica civil para “garantir um maior nível de segurança aos ocupantes de aeronaves que sobrevoam rotas marítimas”.
Entre as propostas implementadas estavam as instruções pré-voo aos passageiros sobre onde encontrar e como utilizar coletes salva-vidas, balsas salva-vidas e saídas de emergência.
“O fato da tripulação de cabine estabelecer sua autoridade antes do voo tornaria tanto sua tarefa quanto sua mensagem mais eficazes no momento em que isso fosse mais importante”, disse à CNN Doug Miller, da Pan Am Historical Foundation.
“Relatos de testemunhas oculares da tragédia indicaram que os passageiros se recusavam a compreender a gravidade da situação, apesar do que ouviam da tripulação”, acrescentou.
“Sempre que você embarca em um avião hoje, está mais seguro graças ao que aconteceu com o ‘Clipper Endeavor’ e seus passageiros há três quartos de século”, disse Josh Gates, apresentador do programa “Expedition Unknown”, do Discovery Channel, no comunicado da empresa.
Fonte: CNN Brasil

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