A BAT (British American Tobacco) anunciou, no Brasil, o lançamento de seu hub de investimentos e inovação, uma iniciativa apoiada pelo fundo global Btomorrow Ventures. O projeto tem como objetivo investir e acelerar startups e empresas em estágio inicial, com foco nos segmentos de bens de consumo e de soluções tecnológicas para o varejo.
Em entrevista ao CNN Money, Claudia Woods explicou que a escolha do Brasil para sediar a iniciativa se deve à maturidade do ecossistema nacional de inovação. Segundo ela, o país reúne uma rede consolidada de empreendedores, conta com a presença de grandes fundos globais e oferece um mercado de grande escala, ideal para testar novos modelos de negócio.
“O Brasil é um ecossistema de inovação já muito robusto. A gente tem muitos anos de grandes fundos globais entrando no Brasil, uma rede de empreendedores que muitos já estão na sua terceira tentativa”, afirmou.
A iniciativa faz parte da estratégia de transformação da BAT, empresa que atua no Brasil há 120 anos e estabeleceu como meta global que, até 2035, mais de 50% de sua receita seja proveniente de produtos além do cigarro.
Para impulsionar esse processo, a companhia criou um fundo de corporate venture capital com mais de R$ 3 bilhões destinados a investimentos, dos quais R$ 2,2 bilhões ainda estão disponíveis.
“Imagina uma empresa com 120 anos que se propõe a fazer uma transformação completa e entrar em novos negócios”, destacou Claudia Woods.
Além dos aportes financeiros, a BAT pretende oferecer suporte estratégico às empresas investidas por meio de uma metodologia proprietária denominada T-Factor. O modelo busca transferir aos empreendedores o conhecimento acumulado pela companhia em áreas como marketing, branding, operações, manufatura e distribuição, permitindo que as startups concentrem seus esforços no desenvolvimento de produtos, na conquista de clientes e na expansão dos negócios, enquanto a BAT oferece apoio em atividades de back-office.
Os investimentos do fundo estarão concentrados em duas frentes. A primeira é a de bens de consumo, especialmente produtos voltados ao bem-estar, como estimulantes e itens destinados ao relaxamento e à melhora do foco.
A segunda contempla soluções tecnológicas para o varejo, segmento no qual a empresa pretende aproveitar sua presença em mais de 300 mil pontos de venda no Brasil para identificar desafios enfrentados por pequenos e médios varejistas e fomentar tecnologias que aumentem sua eficiência e rentabilidade.
A BAT já realizou dois investimentos no país. O primeiro foi na Maismoo, empresa de snacks saudáveis, como barrinhas de cereal e produtos à base de whey protein, que se tornou líder de vendas de barrinhas em São Paulo e já recebeu três rodadas de investimento.
O segundo aporte foi destinado à Uelo, startup especializada em tecnologia para roteirização de operações logísticas, que dobrou seu valuation em menos de 18 meses antes de ser integralmente adquirida por outra empresa.
Para os próximos meses, a expectativa da companhia é realizar pelo menos mais dois investimentos. De acordo com Claudia Woods, os principais critérios de seleção incluem o alinhamento com as áreas de atuação do fundo, a experiência e a qualidade da equipe empreendedora, além da existência de um produto já validado pelo mercado.
“A gente pensa numa empresa que já esteja faturando mais ou menos seus 50 milhões”, explicou.
Fonte: CNN Brasil

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