EUA e Israel têm “diferenças” a resolver, diz à CNN embaixador israelense


Israel e os Estados Unidos ainda têm “algumas diferenças” a resolver sobre como encerrar a guerra com o Irã, disse o embaixador israelense em Washington à CNN, enquanto o presidente Donald Trump sugeria que declararia “vitória total” em duas semanas.

“Temos interesses bastante alinhados. E aqui e ali, existem algumas divergências de opinião que precisam ser resolvidas”, declarou o embaixador Yechiel (Michael) Leiter à jornalista Kaitlan Collins, da CNN.

Questionado se Israel acredita que um acordo para encerrar a guerra poderia ser alcançado em duas semanas, como Trump sugeriu na segunda-feira (8), Leiter disse que isso dependeria dos termos específicos do acordo.

“Se pudermos acabar com esta guerra de forma que o Irã não tenha mais um programa de armas nucleares, não tenha mais um programa de mísseis balísticos capaz de manter o mundo como refém e não apoie mais seus aliados como o Hamas e o Hezbollah… então a guerra estará vencida, seja em duas semanas ou em duas horas”, continuou Leiter.

Questionado sobre a recente declaração de Trump de que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, “não manda” e teria que aceitar qualquer acordo que os EUA fechassem com o Irã, o embaixador concordou, ainda que com relutância, mas acrescentou que “há uma ótima relação entre o presidente e o primeiro-ministro”.

“Entramos juntos nesta guerra contra o Irã e acho que vamos terminá-la juntos, em sintonia”, afirmou ele.

As declarações de Trump sobre o líder israelense vêm depois do presidente americano ter dito, na semana passada, que estava “incomodado” com Netanyahu por causa dos planos de Israel para operações militares no Líbano, enquanto os Estados Unidos trabalhavam para alcançar um acordo de paz com o Irã.

Novos ataques

Irã e Israel anunciaram na segunda-feira (8) a suspensão dos ataques mútuos após um apelo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que parassem imediatamente de atirar.

No entanto, Teerã afirmou que retomaria os ataques caso Israel continuasse a atingir o Hezbollah no Líbano.

A onda de ataques que começou no domingo (7) representou o confronto mais direto entre os países desde o cessar-fogo de abril, ameaçando comprometer os esforços de Washington para chegar a um acordo com Teerã e encerrar a guerra que já dura mais de três meses.

Israel atacou alvos iranianos depois que Teerã disparou mísseis contra o território israelense no final do domingo (7). Teerã afirmou que seus ataques foram uma retaliação aos ataques israelenses contra redutos do Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, nos arredores de Beirute.

Um ataque israelense atingiu uma fábrica petroquímica no sudoeste do Irã, que, segundo o país, era usada para produzir mísseis balísticos. A IRGC (Guarda Revolucionária Islâmica do Irã) disse que retaliou com um ataque contra uma fábrica israelense semelhante na cidade de Haifa.

Pressão americana

Em uma publicação Trum afirmou, nesta segunda-feira (8), que Israel e Irã desejavam “um cessar-fogo imediato! As negociações finais sobre a ‘paz’ estão em andamento, sujeitas a que a ignorância ou a estupidez as atrapalhem”.

Ele acrescentou que o bloqueio americano aos portos iranianos permaneceria em vigor até que um acordo final fosse alcançado.

Um oficial israelense disse que Trump conversou com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ainda nesta segunda-feira.

Anteriormente, um oficial militar israelense afirmou que Israel estava preparado para continuar as operações “pelo tempo que for necessário” e confirmou ataques a sistemas de defesa aérea iranianos recém-reconstruídos, além do alvo petroquímico.

Autoridades iranianas adotaram um tom igualmente desafiador. Uma fonte militar citada pela agência de notícias semioficial Tasnim disse que Teerã estava pronta para um conflito prolongado e poderia retomar os ataques contra interesses americanos na região.



Fonte: CNN Brasil

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